segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Leviatã de Hobbes e o Príncipe de Maquiavel servem para hoje?


Mais de quatro séculos após o período de Estados absolutistas, onde governantes centralizadores contravalam o poder e tinham o domínio das vidas das pessoas, numa Europa que se aproximava do fim da idade média, percebemos atualmente que os pensamentos desses autores e suas obras estão mais presentes que nunca no comportamento e medidas políticas tomadas pelos representantes dos Estados da contemporaneidade. Não obstante, tais representações hoje serem eleitas, em sua maioria, democraticamente pela vontade popular.
          Em “O Príncipe” Nicolau Maquiavel, pensador do século XVI, traz em sua obra todos os atributos que deve possuir um governante para ter controle sobre seus súditos e manter o poder político. Para ele, a preservação do Estado passa por tomada de decisões muitas vezes impopulares para a existência de um Estado forte. Por outro lado “O Leviatã” de Thomas Hobbes, pensador inglês do séc. XVII, a ideia de um Estado absoluto é legitimado por um pacto social entre governantes e governados. Neste pacto, as pessoas abrem mão dos seus direitos em favor de um soberano, para que este lhe garanta a proteção contra a insegurança oriunda nas relações sócias entre elas próprias. Pois para Hobbes, o homem em seu estado natural destruiria o próprio homem.
Com a elevação nos índices de violência nos tempos atuais e por consequência a geração de pânico e medo na população como frutos do vandalismo exacerbado em algumas manifestações populares e pela violência urbana, faz-se então a necessidade de uma reflexão sobre como seria a sociedade na ausência total do poder coercitivo do Estado. Uma situação em que não se precisa ir muito longe e nem é difícil de imaginar, pois basta apenas lembrarmos o que acontece quando a população é afetada, por exemplo, de uma greve policial. As cidades são tomadas por uma onda de vandalismo e caos generalizado.
Analisando sob este ponto de vista de caos social, percebe-se então que sem a presença da coercitividade do Estado as pessoas entram no estado de natureza, proposto por Hobbes, onde, na ausência da lei, os humanos destruíram uns aos outros. E que o governante, para conter movimentos anárquicos e manter o Estado seguro e íntegro, deve tomar medidas duras e repressoras para garantir assim a lei e a ordem, como propõe Maquiavel.
Assim, apesar de movimentos e opiniões contrárias, é inegável que a sensação de ausência do Estado como agente da ordem social desperta em uma sociedade, cuja ética, elemento regulador da moral não é algo tão valorizado assim, um comportamento que põe em risco a integridade física e o bem-estar social da coletividade. É neste momento então que se faz urgente a presença do Leviatã de Hobbes e do Príncipe de Maquiavel para controlar e neutralizar grupos que disseminam a desordem generalizada e ponham em risco a unidade do Estado. 

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