O Leviatã de Hobbes e o Príncipe de Maquiavel
servem para hoje?
Mais
de quatro séculos após o período de Estados absolutistas, onde governantes
centralizadores contravalam o poder e tinham o domínio das vidas das pessoas,
numa Europa que se aproximava do fim da idade média, percebemos atualmente que
os pensamentos desses autores e suas obras estão mais presentes que nunca no
comportamento e medidas políticas tomadas pelos representantes dos Estados da
contemporaneidade. Não obstante, tais representações hoje serem eleitas, em sua
maioria, democraticamente pela vontade popular.
Em “O Príncipe” Nicolau Maquiavel, pensador
do século XVI, traz em sua obra todos os atributos que deve possuir um
governante para ter controle sobre seus súditos e manter o poder político. Para
ele, a preservação do Estado passa por tomada de decisões muitas vezes
impopulares para a existência de um Estado forte. Por outro lado “O Leviatã” de
Thomas Hobbes, pensador inglês do séc. XVII, a ideia de um Estado absoluto é legitimado
por um pacto social entre governantes e governados. Neste pacto, as pessoas
abrem mão dos seus direitos em favor de um soberano, para que este lhe garanta
a proteção contra a insegurança oriunda nas relações sócias entre elas próprias.
Pois para Hobbes, o homem em seu estado natural destruiria o próprio homem.
Com
a elevação nos índices de violência nos tempos atuais e por consequência a
geração de pânico e medo na população como frutos do vandalismo exacerbado em
algumas manifestações populares e pela violência urbana, faz-se então a
necessidade de uma reflexão sobre como seria a sociedade na ausência total do
poder coercitivo do Estado. Uma situação em que não se precisa ir muito longe e
nem é difícil de imaginar, pois basta apenas lembrarmos o que acontece quando a
população é afetada, por exemplo, de uma greve policial. As cidades são tomadas
por uma onda de vandalismo e caos generalizado.
Analisando
sob este ponto de vista de caos social, percebe-se então que sem a presença da
coercitividade do Estado as pessoas entram no estado de natureza, proposto por
Hobbes, onde, na ausência da lei, os humanos destruíram uns aos outros. E que o
governante, para conter movimentos anárquicos e manter o Estado seguro e
íntegro, deve tomar medidas duras e repressoras para garantir assim a lei e a
ordem, como propõe Maquiavel.
Assim,
apesar de movimentos e opiniões contrárias, é inegável que a sensação de
ausência do Estado como agente da ordem social desperta em uma sociedade, cuja
ética, elemento regulador da moral não é algo tão valorizado assim, um
comportamento que põe em risco a integridade física e o bem-estar social da
coletividade. É neste momento então que se faz urgente a presença do Leviatã de
Hobbes e do Príncipe de Maquiavel para controlar e neutralizar grupos que
disseminam a desordem generalizada e ponham em risco a unidade do Estado.
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